Neste momento aquilo que eu sinto é que sou uma
pequena rapariga, a mesma que tinha seis anos e chorava para ir para a escola
quando a minha avó me levava. As saudades que eu tenho desses tempos! As
recordações passam agora como se tudo tivesse chegado ao fim! Lembro-me de
todas as vezes que no tempo do jardim-de-infância me levavas para a escola,
mesmo em estando a chorar, e eu ficava cheteada por alí me teres deixado. O que
eu não percebia na altura percebo-o agora. Tu podias deixar-me ali a chorar mas
passados 10 minutos em já andava a sorrir e a brincar, enquanto tu, sim tu,
vinhas para casa, e mal continhas as lágrimas mal me viravas as costas, e no
caminho até casa, ao subir aquela avenida já velhinha. Quando te via, depois,
ao fim do dia ao portão para me ires buscar era a minha maior alegria…. e tua.
Agora, escrevendo este texto e derramando pequenas lágrimas tenho saudades
destes tempos! Agora, ainda me sinto essa “pequena criança”, que chora mas por
outros motivos. Nunca pensei sentir tanta falta de uma pessoa como sinto a tua!
E a pior coisa que me podiam dizer, quem me proibiam de te ver, fizeram-no!
Como é que alguém consegue dizer algo como isto, mesmo sem a intenção de
magoar?! Eu calei-me nesse momento, fiz de conta que não me tinha atingido,
como se eu fosse uma pedra. Mal sabiam eles que a minha vontade era, naquele
precisso momento, chorar como se voltasse a ser aquela criança de seis anos que
não queria ir para a escola. Mas não, calei-me e engoli, não demonstrei um
único sentmento naquele momento, guardei para mim. E só quando cheguei a casa,
sozinha na sala, em frente ao computador e comecei a escrever a primeira
palavra deste texto é que as lágrimas me começaram a cair pela cara abaixo! Faz
hoje dez dias que não estas em casa, e as saudades apertam, meso indo
visitar-te todos os dias ao hospital. Posso transparecer que estou bem, posso
até ter-me tentado enganado a mim mesma, agindo coo se estivesse tudo bem, mas
não está. Só agora é que cedi, só depois de ouvir palavras fortes como aquelas
é que parece que acordei para a gravidade da situação. E, agora mais que nunca,
lavada em lágrimas, sei que queria voltar atrás, voltar a ser aquela criança de
seis anos a chorar para ir para a escola, pois esse choro não era verdadeiro,
não era de tristeza nem de mágoa. Era de birra! E quem me dera voltar a chorar
dessa maneira, sem te ver sentada numa cadeira de hospital, enquanto me levavas
para a escola! Se pudesse voltar atrás, era para aí que retrocedia, para passar
mais tempo contigo, tempo esse que agora sei ser precioso, antes que saias da
tua casa e vás morar com aquela pessoa, pois nada será o mesmo, já não vou
poder chamar ao local onde tu irás estar de “casa” como chao a este, onde já ‘moro’
desde os meus 3 dias de vida! Mas, por agora, resta-me tentar ser uma grande
rapariga, pois “grandes raparigas não choram”!